Tomo a iniciativa de iniciar este blog, que versa sobre a arte que é o aprender, discorrendo um pouco sobre a polêmica desta semana, que teve como artífice o próprio Ministério da Educação. Trata-se da adoção do livro Por uma vida melhor, da coleção Viver, Aprender, adotado pelo Ministério da Educação (MEC) para a Educação de Jovens e Adultos (EJA).
Antes de mais nada, deixo claro que sou da opinião de Marcos Bagno, em sua obra “Preconceito Lingüístico”, do qual devemos encerrar esse preconceito sobre a norma culta como a melhor forma de se falar e escrever. O nosso país é geometricamente um gigante, e em cada região, fala-se de um jeito. O caipira, o universitário, o homem da cidade, quem é o mais correto??? Nenhum!!! É simples assim mesmo. O importante na arte da comunicação, é comunicar-se, não importa como, seja com lantejoulas ou seja sem, o importante é passar a mensagem.
Mas o que o livro “Por uma vida melhor” é o ponto desta narrativa?? É simples também. Este livro dedica um capítulo para o uso popular da língua. Daí o já famigerado “Nós pega” como manchete principal dos principais jornais, sites e congêneres. Numa época em que a política pública de educação é tão criticada, devemos olhar com carinho para essa proposta do MEC.
O livro em si é muito interessante.Todavia, na sala de aula, no seio da Oficina do Saber, deve-se ensinar o linguajar popular?? Penso que não, simplesmente, porque o popular se aprende na escola que é a própria vida. A escola, tradicionalmente como a conhecemos, é uma oficina mesmo. É o lugar onde temos que procurar o diferencial. Veja bem, o diferencial, não o melhor. Porque falar corretamente, não é melhor que falar o “popular”.
E para encerrar a discussão, o aluno não aprenderá o “Nós pega” na escola, justamente porque ele já fala assim desde sempre. Na escola, ele aprenderá regras, normas, conceitos dos quais serão fundamentais para a compreensão do mundo em que vive como um todo. Deixemos a escola da vida ensinar o que já ensina e o faz muito bem!